terça-feira, 14 de março de 2017

Entrevista Mvpdesportiva: Bruno Carvalho, um benfiquista de gema



O futebol, tal como outras modalidades, deve-se distinguir pelo respeito, pelo sentido democrata, pelo diálogo. Em 2009, Bruno Costa Carvalho, um homem apaixonado pelo Benfica, candidatou-se à presidência do clube, acabando por perder as eleições de forma inequívoca. Apesar disso, nunca se distanciou do Benfica, nunca se distanciou dos assuntos do clube, espelhando a sua forma de estar e pensar o clube em várias orgãos de comunicação social. O mvpdesportiva quis também tentar perceber aquela que é a visão do antigo candidato acerca do panorama geral do clube.


Mvpdesportiva:Recordo que esteve por detrás do projeto RtpN, Porto Canal, sendo que agora faz parte de um projeto de televisão em Angola. Como surgiu o interesse pelo Mundo da Comunicação? 

Bruno Carvalho: Aconteceu quase que por acaso. Eu sou economista de formação, depois foi uma questão de fortuna. Acabei por entrar no meio em 98, passei pela RtpN, como disse, fui diretor do Porto Canal e agora dirijo um canal de televisão em Angola. Certamente que não seria a saída mais normal para um economista mas não me arrependo, é uma área da qual gosto muito.

Mvpd: Mas recordo que chegou a ter um blogue, que entretanto fechou. Certo?

BC: Sim, tive. Era o Novo Benfica. Foi uma boa experiência, naquela altura já tinha alguma experiência no ramo e isso ajudou-me nesse projeto.


Mvpd:Passando a outras temáticas. E o amor pelo Benfica, como surge?


BC: Surge por influência do meu avó. O meu avó era um grande benfiquista e desde pequeno, passava muito tempo com ele, e aos poucos ele foi incutindo essa paixão pelo clube em mim. Paixão essa que com a idade veio a crescer imenso. Hoje em dia, sou eu a influenciar os meus filhos.

Mvpd: Há cerca de nove anos candidatou-se à presidência do Benfica. De à nove anos para cá, nota muitas mudanças no clube?

BC: Sim. Algumas mudanças muito boas, outras nem por isso. Temos que reconhecer que o Benfica cresceu muito. Hoje, o Benfica tem um centro de estágios modernizado, tem uma das melhores formações do mundo, tem lançado no futebol internacional vários jogadores de renome e tem conseguido ganhar, no futebol e nas modalidades com maior regularidade, para além disso, conta agora com uma excelente estrutura e é um clube que tem conseguido ganhar maior reputação no plano internacional.

Mvpd: E os aspetos negativos?

BC: Os aspetos negativos surgem na área da gestão. É inconcebível que um clube como o Benfica tenha um passivo tão elevado. Um clube como o Benfica devia ter um passivo financeiro 0. E tinha tudo para o ser não fosse algum despesismo por parte da direção do clube.

Mvpd: O que se refere quando utiliza a palavra "despesismo"?

BC: Repare, o Benfica é um grande clube. Como tal é de esperar que cheguem ao clube, grandes jogadores. Nos últimos anos tem surgido negócios que ninguém entende. Desde os milhões para o avançado paraguaio, Vera, que nunca chegou a jogar pelo clube. O negócio de Farinã que nunca chegou no clube, os milhões de Roberto, a venda de Garay. Negócios que não percebo, negócios muito mal explicados.
Para além disso as relações e as vendas estranhas ao Atlético de Madrid, as relações com o Braga e com o presidente, António Salvador.

Mvpd: A título de exemplo, o Sporting teve há poucos dias eleições no clube. E apesar de algumas polémicas, as eleições decorreram sempre de uma forma democrática. Algo que não aconteceu consigo, por exemplo na altura, não chegou a ter um debate frente a Vieira por este se ter rejeitado a tal. Qual a sua leitura acerca disso? Falta esta democracia ao clube?

BC: Olhe, o debate não me foi possibilitado nem a mim, nem depois ao Doutor Rangel. De facto, é um bom exemplo, apesar de algumas coisas não terem corrido da melhor forma. Mas, em relação ao Benfica, falta haver uma maior democracia no clube, em diversos aspetos. A questão de uns votos valerem mais que outros, ou seja que os votos dos sócios com mais anos de casa valham mais que outros sócios, com os próprios votos das casas do Benfica. Fica difícil haver democracia quando existem tantas lacunas no clube, inclusive, para alguém que se queira candidatar a presidente do clube.

Mvpd: Neste caso, qual seria a sua abordagem a este problema democrático?

BC: Em relação à questão dos votos, as coisas poderiam ficar resolvidas se, a partir dos cincos anos, os votos de cada sócio valessem o mesmo. Era uma forma de repor a verdade. Para além disso, acho que todos os sócios com mais de cinco anos de casa já se poderiam candidatar a qualquer cargo no clube. A questão dos debates, acho que devia ser revista. Um debate acaba sempre por gerar novas opiniões e novas visões, e isso é algo útil para qualquer clube.

Mvpd: Qual a sua opinião acerca do negócio NOS? Não acha que o Benfica teria capacidade para alcançar um negócio melhor?

BC: Temos que ver que os contratos televisivos que foram assinados, foram negociados num contexto de guerra entre operadoras de televisão. Esta guerra acabou. Acho que o Benfica, na altura, não fez um mau negócio. O que me pareceu menos positivo foi a duração do contrato: dez anos parece-me manifestamente muito tempo, num mercado onde as receitas estão constantamente a aumentar e a disparar. Mas, no geral, parece-me um bom negócio.

Mvpd: E uma futura candidatura à presidência do clube, não está no seu horizonte?

BC: O presidente do Benfica foi eleito o ano passado e, por isso, tem mais quatro anos de mandato. Não faço planos, por enquanto não me passa pela cabeça nova candidatura, talvez no futuro.


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