terça-feira, 8 de janeiro de 2019

REAL MADRID NUMA PROFUNDA CRISE



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O futebol é um mundo ingrato. Um mundo onde em espaço de semanas ou até dias uma equipa pode deixar de ser uma das melhores do mundo e entrar automaticamente numa crise de resultados e exibições. Há duas semanas, o Real Madrid conquistou um título. E nem sequer foi um título qualquer: os merengues venceram o Mundial de Clubes pelo terceiro ano consecutivo e pela quarta vez em cinco anos (o mesmo percurso conseguido na Liga dos Campeões), tornando-se o clube mais bem sucedido da história da competição. Este domingo, porém, perderam em casa com a Real Sociedad, caíram para o quinto lugar da Liga espanhola (atrás do Alavés, do Sevilha e do Atl. Madrid) e estão já a dez pontos do líder Barcelona.

A crise em Madrid, contudo, está longe de estar apenas relacionada com resultados, exibições e lugares na tabela. A crise em Madrid é global e começou com a forma como Julen Lopetegui chegou ao comando técnico da equipa, sendo dispensado da seleção espanhola ainda antes do início do Mundial da Rússia, continuou com a maneira como o treinador foi despedido e deu lugar a Santiago Solari, arrastou-se com a nega de Antonio Conte e a permanência do técnico argentino depois de uma boa série de vitórias e culminou na derrota deste domingo – que trouxe críticas diretas de Modric, um estádio anormalmente longe de estar cheio e Gareth Bale a deixar o Santiago Bernabéu antes ainda do apito final.

O Real Madrid entrou na partida quase a perder, com um golo de Willian José logo aos três minutos, e, apesar de ter passado grande parte do jogo no meio-campo defensivo da Real Sociedad – muito graças a uma boa exibição de Vinícius Júnior, titular em vez de Isco –, não conseguiu concretizar o maior fluxo ofensivo e acabou mesmo por sofrer o segundo golo já aos 83 minutos. A expulsão de Lucas Vázquez, quando os merengues ainda perdiam pela margem mínima, veio dificultar uma tarefa que já era difícil e um jogo onde o árbitro foi protagonista, já que mereceu várias críticas por parte de adeptos, jogadores e treinador do Real Madrid por não ter consultado o VAR num lance onde se reclamava penálti a favor dos blancos.

No final do jogo, Luka Modric foi a cara e a voz da desilusão merengue. O médio Bola de Ouro explicou que o problema do Real Madrid “não é só” a falta de eficácia – a equipa tem 26 golos em 18 jogos, enquanto que o Barcelona tem 50 em tantas outras partidas. “Falta-nos unidade em campo, marcam-nos golos em todos jogos e nós não marcamos. Há falta de concentração no início dos jogos. Não podemos cometer erros no princípio de todas as partidas e isso é falta de concentração. Temos que o evitar de futuro”, afirmou o jogador croata, recordando que o Real tem sofrido muitos golos nos primeiros minutos dos jogos, algo que dificulta desde logo a forma como a equipa ataca a partida (sofreram aos sete minutos com o Levante, 2′ com o CSKA, 11′ com o Barça, 1′ com o Atl. Madrid, 4′ com o Villarreal e agora 3′ com a Real Sociedad).

Além de retirar todo o tipo de responsabilidade a Solari, já que o treinador “não pode marcar golos”, o croata assume que um grupo de jogadores está em subrendimento e inclui-se nesse conjunto: “Muitos jogadores não estão a render ao seu melhor nível, eu à cabeça, tenho de melhorar e estou aqui para assumir a responsabilidade”. O capitão Sergio Ramos, contudo, apresentou um discurso mais conciliador e lembrou que “dos problemas nascem sempre soluções”. “A equipa precisa de uma mudança, de uma reação. A equipa não tem falta de vontade ou de motivação. Temos uma equipa com fome e pelo menos a mim doem-me as pernas de correr hoje. Vamo-nos embora nesse sentido, com a consciência tranquila porque deixámos a alma em campo. Há duas semanas ganhámos um título. Se achasse que não vínhamos aqui ganhar ficava em casa com os meus filhos”, atirou o jogador espanhol.

O Real Madrid, que entretanto confirmou a contratação do jovem Brahim Díaz ao Manchester City, está a atravessar o período menos concretizador desde há quase 30 anos (é preciso recuar até 1991/92 para encontrar uma equipa merengue com menos do que 26 golos em 18 jornadas). Com o resultado deste domingo, a equipa de Santiago Solari somou a nona derrota desde o início, igualando com 29 jogos o mesmo número de partidas que perdeu em 62 encontros da época passada.

Até quando resistirá Solari no banco perante o actual estado de coisas? E até quando os adeptos madridistas terão paciência com o presidente Florentino Pérez?

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