domingo, 13 de janeiro de 2019

Sporting x FC Porto (0-0): Demasiado medo de perder!



Partilha :
Sporting x FC Porto (0-0): Demasiado medo de perder!
Foi um Sporting de muitas cautelas e pouca vertigem (e, por isso, muito pouco à imagem do seu treinador) aquele que recebeu o FC Porto em Alvalade. Depois da derrota em Tondela, Keizer terá percebido que, às vezes, mais vale evitar riscos, mas com isso o Clássico tornou-se num jogo altamente tático, com poucas oportunidades e poucos motivos de interesse.

Há derrotas que são lições. E o desaire em Tondela poderá muito bem ter ajudado Marcel Keizer a perceber que o futebol-vertigem é muito bonito, mas não é para todas as ocasiões. Não funcionará sempre em campos estreitos como existem por esse Portugal fora e será sempre muito arriscado frente a equipas altamente coesas, práticas e objetivas. Como é o FC Porto.

Foi assim numa viagem ao interior de Portugal que o treinador do Sporting terá entendido o que muitas vezes está no coração do futebol português. Foi assim, portanto, que Keizer abraçou o pragmatismo.

E esta nova relação de amizade, ou vá, respeito mútuo entre o técnico holandês e o pragmatismo acabou por tornar o primeiro Clássico de 2019 mais ou menos naquilo que tem sido a imagem de marca dos jogos entre os grandes nas últimas temporadas: jogos muito táticos, essencialmente fechados, sem espaços, com poucas oportunidades e poucos (ou nenhuns) golos, porque, quando a coisa aperta, o medo de perder quase sempre supera a ousadia de querer ganhar.

Isso viu-se desde logo pela abordagem do Sporting à posse de bola do FC Porto. Abandonando a pressão, abdicando da tão sua regra dos cinco segundos para recuperar a bola, os leões defenderam com linhas baixas bem definidas. A estratégia teve, pelo menos, o condão de secar um dos pontos fortes do FC Porto de Sérgio Conceição, o ataque à profundidade. Na 1.ª parte, o ataque do líder praticamente não existiu.

É claro que para a estratégia resultar em pleno, é necessário aproveitar o erro para ferir o adversário de morte. E o Sporting não o conseguiu fazer, apesar de, na 1.ª parte, ter estado muito mais próximo da área de Casillas do que o FC Porto da de Renan. Também porque os dragões, ainda que estéreis no ataque, têm uma dupla de centrais de nível superior e raramente deram espaços a Diaby, Nani e Bas Dost.

Foi portanto uma 1.ª parte altamente encaixada, taticamente curiosa (principalmente por se ver um Sporting tão mais racional), mas emocionalmente cinzenta.

A coisa mudaria um bocadinho de figura na 2.ª parte, depois de Sérgio Conceição mudar o 4x4x2 inicial para um 4x3x3 que ajudou a que o jogo se tornasse mais anárquico, mais aberto e, por isso, mais estimulante para quem o vê.

Mais fortes os dragões no arranque, eles que aos 56’ desperdiçaram aquela que terá sido a melhor oportunidade de todo o jogo, com Soares, praticamente em cima da baliza do Sporting, a não conseguir acertar decentemente numa bola que vinha perfeita de um cruzamento de Corona. Os bons reflexos de Renan Ribeiro fizeram o resto.

Aos 60’, Marega não teve a clareza para aproveitar melhor um alívio defeituoso de Coates, num dos raros erros do central uruguaio (Mathieu, esse, nunca errou). Com espaço, rematou forte mas por cima.

O Sporting conseguiu então equilibrar novamente e esteve perto de marcar nas meias-distâncias de Bruno Fernandes e Gudelj. Valeu que Casillas ainda é de classe mundial. Tal como o é Militão, que aos 69’ cortou um cruzamento de Nani que Bas Dost já se preparava para transformar em golo.

A parte final já foi de esforço para ambas as equipas. As táticas deixaram de marcar o jogo, mas a intensidade com que se jogou foi a tempos tal que nos últimos 10 minutos já ninguém tinha força física ou mental para definir o que quer que fosse.

Quando Hugo Miguel apitou para o final do Clássico, que acabou naturalmente a zeros, boa parte dos jogadores só conseguiu tombar sobre si próprio, à procura do ar que não puderam respirar em praticamente toda a 2.ª parte.

E com tudo isto, o campeonato abre um pouquinho. O FC Porto continua com uma vantagem interessante para o Benfica, mas 5 pontos não são nada em janeiro. Quanto ao Sporting, não sofrendo e não marcando, cauteloso como nunca na Era Keizer, queimado no pós-Tondela, ficou mais longe, talvez irremediavelmente longe do título.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Ola leitor como vai?
Obrigado pela visita em nosso blog, e não se esqueça de deixar teu comentário/opinião depois ok? Ele é muito importante para nós.